O meu pomar está cheio de frutos, rosados, salientes entre os verdes vivos das folhagens primaveris, pintando de amarelo e cores mais quentes a minha tela impressionista. São pontos, meros pontos pintados com tintas que se misturam apressadamente sobre o tecido esticado. São frutos, tantos frutos que são pontos afinal.
E além, uma miúda correndo, vai roubar frutos do meu pomar, frutos baixos e sumarentos que fazem pesar os ramos. A miúda leva um cesto e com ele pontos roxos, pontos canário que se unem num castanho divinal.
No final, o meu pomar vai ficando escuro porque o sol já lá vai longe e já não vê a minha tela. São oito e embrenho-me no caminho da terra húmida rumo à nova tela. A tela das oito vê o lago, com azuis pontos fortes sozinhos nos laranjas e nos amarelos; vê o moinho e vê a lavadeira que sempre sai a esta hora. E meia hora depois, já sou eu que nada vejo e levo comigo a lavadeira até o sol aparecer.
Sem comentários:
Enviar um comentário