bamarte

sábado, 21 de janeiro de 2012

eu ia-te ligar, por uma fechadura pequena e secreta, para me salvares a vida. não chegam sopas nem um copo de água. não chega um trago de vinho generoso de um velho.
vagueio as ruas escuras. são escuras mesmo no verão e mesmo no dia solarengo de inverno. e são ainda mais escuras com a multidão.


metade da multidão não me vê, não sabe o que penso ou do que preciso. fingem que sabem para se sentirem melhor nas suas vidas de trabalho, de criação, de ocupação - ai o coitadinho que para ali anda.


não sou coitadinho nenhum. sei bem o que quero e o que ando a fazer. nada me ocupa. nada me pertence mas também nada me quer no seu domínio. dou-me apenas a um mundo, o único que preenche o vazio dos vasos, dos capilares, das células, dos músculos, da respiração.
quando entra em mim já não dói, não arde. não sinto sequer. o prazer do ópio.

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