O charco ilumina todo o verde florestal neste meu refúgio remoto.
Recebe uma a uma, cada pedra que lhe ofereço, sem nunca se negar. Junto a ele lembro tudo o que podia ter sido diferente e que desejo apagar tal desabafo maldito num papel esquecido!
Óh, oxalá a vida tivesse suas borrachas e que delas me pudesse servir para não mais te ver daqui, de onde mal avisto as tuas belas feições!
Escrevo-te cartas. As mais belas em papel de cetim perfumado com todo o meu amor exaltado em discursos de eternidade! Mas tu não esqueces as palavras soltas um dia numa folha de papel e não te poderei isolar em meus braços... Óh, oxalá pudesse eu deter essas borrachas de milagres ao invés destas miseráveis pedras de charco, arredondadas e macias...
Oxalá pudesse eu recuar e pedir-te perdão... mas palavras escritas a tinta jamais poderiam ser apagadas... tinta de minha pena!
Oxalá pudessem borrachas de carvão salvar-me deste delírio!
Óh... macias... como tua pele... tudo me junta a ti...
Tudo me lembra de ti e vivo assim este calvário na esperança de não esquecer o rosto que mal avisto e que deixei escapar outrora para longe da minha margem do charco.
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