bamarte

sábado, 5 de novembro de 2011

Tenho uma dor. Uma dor que não sai, nem por nada. Já não sai. Não agora.
Quero arrancar esta dor, esta dor que não passa. 
É grande, demasiado grande e cresce com as urtigas. Quero sair dela. Da dor, 
deixá-la de lado. Deixá-la para trás. Esta dor corrói, queima os antebraços, queima tudo o resto. 
É uma dor feia. Começa em d. Termina em r. E nada mais oferece na riqueza deste mundo a não ser um mero o. 
Um simples o. É um o denso e redondo. É da dor. 
Ela que ainda cá está, mesmo que nela não pense. Vive aqui. Paredes meias. Alugou um apartamento e veio para ficar. 
A dor que se alimenta de mim, a dor. Essa dor. Queria chutá-la. Empurrá-la. Pô-la na rua. 
Aspirá-la e pô-la num saco atade com um nó. Ou dois. Bem fortes para não voltar. 
É uma dor no meio de todas as suas amigas dores que doravante doem. Sofrida a vida de quem dói a dor. 
A mim doi-me esta que carrego, não como um fardo, mas como uma mochila um pouco mais pesada que o ideal. 
Não seria normal alguém carregar um fardo aqui. 
É uma dor que não se vê. Não cheira. Não se ouve. Nem se move. 
É uma dor que não existe para ninguém a não ser para mim. É uma insónia.

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