Tenho uma dor. Uma dor que não sai, nem por nada. Já não sai. Não agora.
Quero arrancar esta dor, esta dor que não passa.
É grande, demasiado grande e cresce com as urtigas. Quero sair dela. Da dor,
deixá-la de lado. Deixá-la para trás. Esta dor corrói, queima os antebraços, queima tudo o resto.
É uma dor feia. Começa em d. Termina em r. E nada mais oferece na riqueza deste mundo a não ser um mero o.
Um simples o. É um o denso e redondo. É da dor.
Ela que ainda cá está, mesmo que nela não pense. Vive aqui. Paredes meias. Alugou um apartamento e veio para ficar.
A dor que se alimenta de mim, a dor. Essa dor. Queria chutá-la. Empurrá-la. Pô-la na rua.
Aspirá-la e pô-la num saco atade com um nó. Ou dois. Bem fortes para não voltar.
É uma dor no meio de todas as suas amigas dores que doravante doem. Sofrida a vida de quem dói a dor.
A mim doi-me esta que carrego, não como um fardo, mas como uma mochila um pouco mais pesada que o ideal.
Não seria normal alguém carregar um fardo aqui.
É uma dor que não se vê. Não cheira. Não se ouve. Nem se move.
É uma dor que não existe para ninguém a não ser para mim. É uma insónia.
É grande, demasiado grande e cresce com as urtigas. Quero sair dela. Da dor,
deixá-la de lado. Deixá-la para trás. Esta dor corrói, queima os antebraços, queima tudo o resto.
É uma dor feia. Começa em d. Termina em r. E nada mais oferece na riqueza deste mundo a não ser um mero o.
Um simples o. É um o denso e redondo. É da dor.
Ela que ainda cá está, mesmo que nela não pense. Vive aqui. Paredes meias. Alugou um apartamento e veio para ficar.
A dor que se alimenta de mim, a dor. Essa dor. Queria chutá-la. Empurrá-la. Pô-la na rua.
Aspirá-la e pô-la num saco atade com um nó. Ou dois. Bem fortes para não voltar.
É uma dor no meio de todas as suas amigas dores que doravante doem. Sofrida a vida de quem dói a dor.
A mim doi-me esta que carrego, não como um fardo, mas como uma mochila um pouco mais pesada que o ideal.
Não seria normal alguém carregar um fardo aqui.
É uma dor que não se vê. Não cheira. Não se ouve. Nem se move.
É uma dor que não existe para ninguém a não ser para mim. É uma insónia.
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