Odeio cebolas. São todas iguais!
É desta que aprendo e nunca mais me meto com nenhuma, nenhuma!
Não sei que sorte levo eu na vida...encanto-me facilmente por legumes, tubérculos e vegetais...mas nunca pensei ser angustiada desta forma por cebolas.
Desta última andava eu pelo mercado, olhando as belas tonalidades de verde, quando me salta à vista o mais belo bolbo que já houvera visto - de linhas sinuosas, curvas proeminentes. Um charme de refogado sem igual. Aproximei-me. O nervosismo tomou conta de mim e depois de dar uns trocos por ele, deliciei-me numa viagem, embalada pelas suas palavras doces oriundas do fundo do saco verde do mercado. Tomei a iniciativa da lhe dar a conhecer o meu lar, a minha intimidade. E quando se desenrolava o momento mágico da união dos nossos corpos...
Sim, o bolbo pelo qual me apaixonei desfez-se em camadas, infinitas camadas de brancura lascada. E chorei. Os meus olhos enchiam-se subitamente de lágrimas dolorosas e aflitivas, sem que pudesse conter.
Fez-me chorar, sem conseguir orientar-me pela cozinha, de faca na mão.
Por que acabo sempre neste pranto...por quê? Por que todas estas cebolas me traem, se mostram tão vazias e nada me deixam a não ser um choro sem fim? Não poderiam antes ser meigas como um feijão verde?
Fossem elas meigas como o feijão-verde, e não seriam cebolas para passar a ser isso mesmo :) Um conselho: da próxima vez, passa-a por baixo de água... Estou certa de que evitará muitas lágrimas.
ResponderEliminar