bamarte

quarta-feira, 1 de junho de 2011

(...)
Nunca mais chegarás a casa com desejo de a viver.
Nunca mais terás a cama tão quente como nas noites em que ele te abraçava.
Nunca mais ouvirás a voz dele ler a história que adoras.
Nunca mais terás o jantar feito, sobre uma mesa linda, com uma flor e uma carta no teu prato.
Nunca mais encolherás os dedos dos pés como quando ele te tocava o corpo num único gesto.
Nunca mais o verás sorrir.
Porém, passarás a fazer muitas coisas agora, agora que ele se esvai no chão. A casa continua quente sim, à força de todo esse plasma e glóbulos que torram a tijoleira, o tapete beje da vossa sala. Agora é tua, só tua, tal como o sofá a cama a mesa a cadeira a gaveta a colher tudo nesta casa é só teu, teu. Magoa-te isso? Se magoa olha o corpo dele, inábil no chão estendido, incapaz de viver novamente.
Contente? Feliz.

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