bamarte

sábado, 28 de maio de 2011

Certamente que muitas vezes descobrirás uma parede apenas, ainda na penumbra ou já sob raios de sol. 
Nunca poderás adivinhar. Mas se ela gostar de ti, se ela realmente gostar de ti, esse corredor começará por ter escadas no início, uns poucos degraus tortuosos. Vais-te sentir o dono do mundo já no último, uma frescura enorme. Caminharás feliz por esse corredor, é liso e alcatifado, ainda reticente mas com o tempo cada vez mais rápido, rápido e aventureiro. E os primeiros pregos no chão. Picas e feres os pés, que entretanto já andavam descalços não é? Tratas as feridas, a um canto sozinho ou com a ajuda das mãos dela, tão sedosas. E se a luta persistir em ti, levantar-te-ás e seguirás o teu corredor a uma velocidade tão boa, esperemos. Se calhar uns poucos pregos pelo caminho, esperemos que os chutes para o lado, ou os apanhes e descubras o seu lugar. Talvez te firas um pouco mais. Resolve-se, já sabes. E esse corredor vai já tão longo. Decides que é nele que caminharás sempre. Sempre, nas vossas calmas, agora. Ou num formato tão comum, com arroz pelo chão e aplausos, e depois uns tropeções nuns brinquedos coloridos. De uma forma ou outra esse corredor continuará, sempre, superando o tempo em que juntamente com as marcas dos pés na alcatifa, as acompanharem a marca de uma bengala. Continuará mesmo depois de apenas um caminhar, mesmo depois do frio o invadir. Continuará eternamente.

Nhé.

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