Não pedi um fim.
Pedi que contasses os ossos
do nosso caixão, onde estão as mágoas
guardadas.
É que depois de gastarmos toda a pele que nos sustinha,
já não somos mais que pêndulos das preocupações.
Conta todos os ossos
que nos restam no caixão,
cabem todos decerto
na tua mão.
É que depois de gastarmos a vida em palavras,
já não somos mais que contas estragadas
de ossos num caixão.
Não pedi um fim.
Apenas que contasses bem alto
para que todos oiçam o quão felizes somos
sendo ossos dentro de um caixão.
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