Não quero envelhecer. Não quero.
Não quero tornar-me um peso na vida de quem seja.
Não quero viver resignada a um tempo que me corre sem o desejar, viver as estações por igual, sem qualquer êxtase.
Não quero que a saudade se apodere de mim, me comande a vida e me corroa; sentir a morte cada vez mais perto, tão real.
Não quero ver a minha pele cansar-se de mim, os meus órgãos adormecer enquanto eu, na minha leve taquicardia, vivo aquilo que me resta.
Não quero ser atirada como lixo à falta de palavras que descrevam o que vivi. Não quero nem mereço que virem as costas às minhas memórias.
Não quero, mas no fundo há-de chegar o dia, não tão lentamente assim - nesse dia, nos anteriores e nos restantes, a força e a revolta que há em mim tornar-se-ão azoto, pronto a integrar o ar do nosso mundo; nesse dia, vou deixar que exista, tal e qual nunca quis existir, e abrirei os braços a esse pesadelo que é envelhecer.
Não é essa a angústia de toda a gente apartir de uma certa idade?
ResponderEliminarO processo natural de envelhecimento arruina sonhos de uma vida de jovialidade eterna. Queria tanto ter feito isto, mas agora já não tenho idade. Se eu fosse mais jovem ia, porém agora não passo de um monte de ossos que lutam diariamente para se manterem em pé.
O tempo avança rápido, num piscar de olhos já se passou mais um ano. Tenho 17 anos, ainda ontem tinha 5, amanhã terei 29... Como tudo mudou...